Impotência em meio ao potencial no TOC.

Antes de escrever uma nova postagem eu sempre tento buscar (no íntimo da alma), o que eu gostaria que as pessoas que convivem com quem tem a doença soubessem, à medida que eu vou tentando estabelecer um contato mais íntimo com quem passa pelo mesmo que eu.

Participei nesse domingo, da 6ª edição do TEDx Fortaleza, e durante a palestra da psiquiatra Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, percebi que muito mais que empatia (uma condição de se sensibilizar com a dor do outro) eu tenho nesse blog, um desejo de exercer compaixão (que além de se sensibilizar com a dor do outro, tem a necessidade de agir para mudar uma realidade de sofrimento).
Com isso, a minha maior dor, que com certeza acomete as demais pessoas com o TOC é a profunda sensação de impotência. As expectativas estão sempre além, na maioria das vezes são até inatingíveis. A ideia de perfeição se torna exacerbada e você passa a sofrer com as coisas mais simplórias do cotidiano. Se te dão uma missão, provavelmente você precise de algumas semanas para se preparar psicologicamente para a execução perfeita. Você passa e repassa a execução da missão incansáveis vezes por várias horas e se certifica de que não vai cometer erros. Se você precisa sair da rotina e fazer um caminho diferente antes de chegar ao trabalho, talvez isso se torne uma tarefa extremamente desafiadora, além do mais, a sensação de que você poderá se perder e NUNCA mais encontrar o caminho certo, é apavorante.

Para pessoas que desempenham profissões dinâmicas, que as impossibilitam de seguir rotinas fixas e que não lhes dão tempo hábil de executar os rituais (que se julga serem necessários para que tudo saia conforme desejado), podem ficar extremamente estressadas e algumas vezes se sentirem incapacitadas de fazerem qualquer coisa.  Os pensamentos e os rituais, sejam eles mentais ou visíveis, nós não o controlamos. Os odiamos, queremos nos livrar deles, sabemos que não fazem sentido, temos consciência de que são estranhos aos olhos dos demais, MAS NÃO CONSEGUIMOS, só temos que fazê-los! Por isso a impotência se torna tão marcante, seguida de profunda frustração. Se mesmo depois de tanto desgaste mental ocorrem erros ou algo não sai conforme o planejado, NOSSA... até que a sensação de derrota e tristeza passe, pode demorar.

Acontece que apesar de tudo, não se discute muito o POTENCIAL dessas pessoas na execução de atividades que exigem profunda atenção e detecção de riqueza de detalhes e muito menos, pessoas acometidas com esse transtorno enxergam isso. Quando me dão uma tarefa, não importa o quanto aquilo possa causar sofrimento, no fim, ela estará devidamente executada. Lidar com a expectativa de pessoas que confiam no meu potencial em meio a impotência que eu sinto, na maioria das vezes em que eu preciso desempenhar algo, é um desafio e um trabalho diário. Não se pode simplesmente fugir dos desafios, principalmente quando se tem TOC. Sabem aquela máxima de "Se está com medo, vai com medo mesmo!"? Bom... esse tem sido o meu tratamento mais eficaz, o enfrentamento. Os medos construídos são sempre maiores (bem maiores que a realidade) e é só enfrentando-os que você tem a oportunidade de enxergar isso. É exercitando isso com frequência que os medos vão sendo cada vez mais desconstruídos e nada, NADA paga a sensação de paz quando um pensamento que era obsessivo, não te assombra mais!

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